Atriz, modelo e manequim

© Mike Greewell

© Mike Greewell

Eu admiro quem é atriz, modelo e manequim.

Digo isso, pois na minha profissão, admiro quem pensa “on”, “off” e todas as outras variações que um player permite.

Desde que comecei a conhecer pessoas, as mais incríveis que eu conheci sempre conjugaram o verbo “to be”, sempre como “estar” e nunca como “ser”.

Hoje, quando me perguntam o que sou, digo que estou diretor de criação, de arte, redator, profissional transmídia, fotógrafo, artista multimídia e um monte de outras coisas que eu possa “estar sendo” naquele determinado momento.

Esta auto-definição não foi muito bacana comigo no começo da minha carreira. Eu até entendo que a academia valorize muito mais os especialistas do que os generalistas, embora isso nunca ter feito muito sentido na minha profissão. Quando era pequeno e perguntava para o meu pai o que era um publicitário, ele me dizia se tratar de um cara que sabia de tudo um pouco. Foi justamente pelo caminho que e fui e quase acabei voltando.

Publicitários são generalistas em sua essência, nunca se resumiram a isso ou aquilo. São bons em diagnósticos e são naturalmente interessados por diversos assuntos.

É claro, que entre o monólogo e o diálogo, sempre ficarei com o segundo, ou seja, quando as pessoas participam é sempre mais interessante e enriquecedor, o que não impede que o monólogo também não seja interessante. Adoro palestras, mas prefiro a parte final das perguntas. Interações constroem relações e o ser humano é um bichinho social.

Por isso, prestar mais atenção ao modo no qual trabalhamos me parece fazer muito mais sentido do que nos auto intitularmos pelo que fazemos. Ver as coisas de forma ingênua e dialogar sobre esta visão se prova cada vez melhor do que viver com a aba de comentários desabilitada.

Acredito em aperfeiçoamento, não em Eurekas. Acredito em gente, não em gênios. Vou admirar pra sempre quem é atriz, modelo e manequim.